“Ouça aqui, mocinha. Não fique pensando que o mundo lhe pertence não. Não caia nessa onda. E outra coisa – não se esforce. Pelo o menos não tanto. Não fique ai remando contra a maré, dando murro em ponta de faca. Veja – se não fora pra ser, não vai ser. Acredite em mim. Coisa boba essa sua tentativa de ir além. E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso. Eu só quero que você pense mais, que leia mais. Que tenha argumentos melhores. Você está muito nova ainda. Cresce!
“Eu me declarei pra você milhares de vezes. Lembra? Das vezes em que você fazia brincadeiras e me zoava, e mesmo eu não gostando eu entrava na brincadeira… Quando eu deixei os meus amigos para te dar atenção, e com todas as noites em claro só pra te fazer sorrir e depois te assustar, falando de palhaços. Coisa que você morre de medo. Quando eu ouvi as músicas que você me mandou, mesmo elas sendo horríveis. Lembra… Quando eu tratava todo mundo mal, mas com você eu era um príncipe. Então. Isso também foi uma declaração, mesmo que silenciosa. Quando eu te defendi do mundo mesmo você estando completamente errada. Eu me declarei pra você tantas vezes, da minha maneira, do meu jeitinho errado, nas minhas formas mais imperfeitas… Mas você nunca percebeu nada disso e partiu sem me deixar dizer mais nada.